NO DIA 3 DE SETEMBRO, WALY SALOMÃO FARIA 68 ANOS
“Se bicha fosse bala e maconha fosse fuzil, Jequié estava pronta pra defender o Brasil”. Waly Salomão
Estimulado por Bené Sena registro mais uma vez o perfil do poeta e pensador, Waly Salomão, também ator, letrista, produtor cultural e diretor artístico. Enquanto Bené rende suas homenagens ao conterrâneo, todos os domingos com o seu “Armarinho de Miudezas” na 104.9 FM de Jequié, daqui registro algumas das suas inúmeras atividades, no dia do aniversário do filho de Dona Bete.
Waly Dias Salomão nasceu em Jequié, em 3 de setembro de 1943 e faleceu no Rio de Janeiro, 5 de maio de 2003.
O poeta, filho de sírio com uma sertaneja, atuou em diversas áreas da cultura brasileira. Seu primeiro livro de poemas foi lançado em 1971, “Me Segura que Eu Vou Dar um Troço”, com textos escritos na prisão, paginados e diagramados pelo artista plástico Hélio Oiticica, seu amigo e sobre quem escreveu a biografia “Qual É o Parangolé”. Depois de lançar Armarinho de Miudezas ganhou em 1997, o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia Algaravias. Seu último livro foi Pescados Vivos, publicado em 2004, após sua morte.
Entre 1983 e 1992 escreveu Armarinho de Miudezas. Dono de um estilo plural e, ao mesmo tempo, único, ele afirmava que “a memória é uma ilha de edição”. Em “Ars Poética/Operação Limpeza”, poema que abre o livro, Waly decreta que “saudade é uma palavra a ser banida do uso corrente” - conceito difícil de ser interpretado por aqueles leitores de sua obra que ficaram órfãos de um poeta nada comportado ou nada previsível. Como não sentir saudades do seu estilo provocador, agitador, excessivo e - como eu dizia sempre a ele - largo e espaçoso?
Participou do movimento cultural Tropicália, na década de 60, protagonizado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Torquato Neto, Jards Macalé, Gal Costa e Maria Bethânia. Este Movimento misturava temáticas e termos americanos aos utilizados pela popular Bossa Nova, sofrendo crítica à época. Tornou-se figura importante para os tropicalistas, mesmo atuando mais nos bastidores. Dirigiu o show “Fatal” (1971), em que Gal cantava músicas como “Mal Secreto” e “Vapor Barato”, de sua autoria em conjunto com Jards Macalé. Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único livro, Os Últimos Dias de Paupéria, lançado postumamente.
Suas canções foram intérpretadas por Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Cazuza, Lulu Santos, João Bosco, Adriana Calcanhotto, Gal Costa e O Rappa, entre outros. Nos anos 80, aproximou-se da nova geração do rock nacional, como composições com Lulu Santos. Entre elas, “Assaltaram a Gramática“, que os Paralamas do Sucesso gravaram em 1984. Na vanguarda paulistana, compôs “Zé Pelintra” (1988), com Itamar Assumpção.
Maria Bethânia também aderiu à poesia de Salomão, gravando em 1972 “Anjo Exterminado”, outra da parceria com Macalé. Em 1976, o poeta compôs “Tarasca Guidon” para os Doces Bárbaros (que reunia Caetano, Gil, Gal e Bethânia).
A parceria Salomão-Caetano rendeu sucessos de Bethânia como “A Voz de uma Pessoa Vitoriosa” (1978), “Mel” (1979), “Talismã” (1980), “Alteza” (1981), “Da Gema” (1984) e “Olho d’Água” (1992).
Trabalhou no Ministério da Cultura, como assessor de Gilberto Gil, no início de seu mandato e depois Secretário Nacional do Livro e Leitura: uma de suas propostas era a inclusão de um livro na cesta básica dos brasileiros.
Em 2002, participou do filme “Gregório de Mattos”, da cineasta Ana Carolina, onde vivia o poeta baiano ao lado de Marília Gabriela e Ruth Escobar.
Waly foi também colunista da então versão impressa da Revista Bahia em Foco, onde eu era editor. Completando 8 anos sem o poeta, mais uma vez o homenageio e aproveito para abraçar, neste dia, os seus irmãos, meus amigos, Guilherme e Omar Salomão, que sabem da minha admiração. Ele, que foi um poeta jequieense extemporâneo, único, justamente por conseguir conjugar tanta pluralidade com um estilo rigoroso, debochado, intolerante com a mediocridade e inimigo da banalidade.
fonte: gicult.com.br


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