A greve da PM-BA e seus desdobramentos administrativos e políticos

A greve da PM-BA durou 12 dias e repercutiu em todo Brasil.
A greve da PM-BA durou 12 dias e repercutiu em todo Brasil.
A greve da PM da Bahia, terminada no final da semana passada, marcou a história da corporação, mexeu na política e deixou seqüelas e prejuízos para os atores envolvidos, apesar das conquistas da categoria.
Forma traumática

A mobilização foi iniciada de maneira traumática, com a ocupação da Assembleia Legislativa por um grupo de grevistas e o cerco do Exército ao local, a pedido do presidente da Casas de Lei, Marcelo Nilo. O movimento se radicalizou e os reflexos foram sentidos nas ruas – com o aumento da criminalidade, assassinatos e roubos – e o desgaste do governo e o posterior enfraquecimento da mobilização, depois das gravações divulgadas na TV e outras mídias – com líderes da greve falando sobre fechamento de rodovias e outros atos condenáveis - e a repercussão negativa junto à opinião pública.

Punições

Apesar de ter divulgado nota pública afirmando que não haveria punição para os que participaram de forma pacífica do movimento paredista, o Comando da PM, subordinado ao Governador Jaques Wagner, expediu 27 ordens de prisão para alguns PMs, apresentando diversas acusações, como a de terem desrespeitado código policial militar. Destes, 7 são de Jequié - 5 da Aspojer e 2 do núcleo da APPM na cidade -, ou seja, das duas associações que lideram a greve no município. Todos já se entregaram e foram presos. Serão avaliados pela Justiça Militar.

Segundo vários PMs, a greve de Jequié foi ordeira, pacífica, e as lideranças punidas ficaram na cidade durante o período da mobilização, à exceção do presidente da Aspojer, o vereador Deyvison (PT), que foi a Salvador para participar das negociações.

Desgaste

Esse desdobramento da greve deixou o vereador numa situação desconfortável perante a categoria que ele representa. Como integrante do PT e dirigente da associação, Deyvison estava buscando uma solução negociada, sem traumas, mas com o atendimento das reivindicações apresentadas. Agora, com as punições de vários integrantes da Aspojer, comenta-se que já há questionamentos à sua liderança.

Como se vê, nessa medida administrativa do governo estadual, na área militar, o desgaste também caiu nos ombros de seus aliados e correligionários. O tamanho da carga, só o futuro dirá.
fonte: gicult.com.br

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