Acordo negado por Jaques Wagner irrita professores grevistas na Bahia
Governado e professores da rede estadual discordam sobre índice de reajuste. Salários continuam retidos, mesmo sob liminar.
A declaração desagradou os manifestantes, que continuam firmes na reivindicação dos 22,22% aprovados pelo MEC. “O governador diz que não tem dinheiro e agora quer negar o acordo? O acordo existe e é para ser cumprido”, defende o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (APLB), Rui Oliveira.
Diante da polêmica, a reportagem analisou o acordo assinado no dia 11 de novembro de 2011 por representantes das secretarias de Administração (Saeb) e de Educação (SEC), e pela APLB. No primeiro artigo, o acordo define que “o reajuste salarial do magistério da rede estadual do ensino fundamental e do ensino médio será o mesmo do piso salarial nacional em 2012, 2013 e 2014”. Nos artigos seguintes, o acordo estabelece reajuste de 3% em outubro de 2013, e 4% em outubro de 2014.
No quarto artigo, porém, é estabelecido um limite: “As diferenças de reajuste do piso nacional da educação apuradas em valor superior aos reajustes gerais concedidos no período de 2012 a 2014 serão compensadas do percentual de reajustes de que tratam os itens 2 e 3, até o limite de 3%”. Questionado sobre o artigo, o coordenador-geral da APLB afirma que a limitação imposta só é válida para os anos de 2013 e 2014. Isso porque os artigos citados (2 e 3) citam apenas esses dois anos. “O que está escrito é que o limite vai valer apenas para 2013 e 2014”.
Sem diálogo, ontem pela manhã um grupo de grevistas realizou um protesto no bairro de Fazenda Grande do Retiro. Durante a tarde, a APLB realizou uma reunião entre professores e pais de alunos. “O intuito é reforçar o apoio dos pais à greve”, contou Rui Oliveira.
Ufba: adesão incerta
Parcialmente sem aulas e com uma adesão incerta. Essa era a situação em que a Ufba se encontrava ontem, apesar de um comunicado do comando da greve, indicada em assembleia no dia 29, definir que a paralisação já estava em curso. O rumo do movimento ainda é incerto devido à falta de alinhamento entre o comando da greve e a diretoria da Associação dos Professores Universitários da Bahia (Apub), que planeja fazer um referendo para legitimar a paralisação anunciada.
A diretoria da associação defende que precisa provar que a maioria dos professores realmente está de acordo com o movimento. Em nota, a Apub afirmou que fará o referendo na próxima semana, nos dias 5 e 6. “As urnas estarão disponíveis nas unidades e na sede da Apub Sindicato, para que os docentes manifestem sua posição”. Em outro trecho, a Apub diz que “não está convocada qualquer Assembleia Geral da Apub Sindicato para a próxima terça-feira, 5 de junho”, informou a associação, deslegitimando a assembleia convocada pelo comando grevista.
De acordo com a estudante de mestrado do Instituto de Química da Ufba, Marina Brito, 24, o movimento no campus Ondina-Federação foi menor que o normal desde o dia 29, mas as aulas continuam. “Quem está à frente da Apub hoje não quer greve, mas a maioria dos professores quer. É como se a Apub hoje tivesse dois comandos políticos”, contou. “O pessoal está comentando que Física e Letras tão parados. Tem pouca gente no campus, até de carro que sempre é um problema pra estacionar tem vaga, não tá tendo fila para o almoço”, descreve.


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